Henrique Figueira
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Amor e Ódio

Nunca me permiti te odiar
Confesso constrangido
Te amei tão cegamente
Que não vi que me traías
Não quis ver
Que me humilhavas
Não quis ver, não via
Rindo-te, me deixaste um dia
O apartamento vazio
A dor tão grande
O desvario
E de repente voltavas
Não pra jurar que me amavas
Mas pra falar de desenganos
Dizer que não encontravas
Tudo o que eu já te oferecia
Do que zombavas, não querias
Que pena!
O tempo não curou minhas feridas
Inflamaram
No ir dos anos, mil vezes sonhei contigo
E a cada despertar, mil vezes morri
E tu também morrias comigo
Não eras deusa, eras pequena
Tanto fel que derramaste
Matou teu rosto
Murchou teu seio
Hoje, não mais te amo
Enfim, te odeio.

                                                     Americana, Novembro de 2000

 

                                                                                                       ***

HFigueira
Enviado por HFigueira em 08/06/2011
Alterado em 02/06/2026
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